É inegável, diante de incontáveis evidências empíricas e da literatura acadêmica, que as abordagens convencionais de governança corporativa auxiliam na estruturação de negócios sólidos. Entretanto, muitas vezes elas não dão conta de todos os aspectos da gestão das empresas familiares, companhias que formam a maioria da força produtiva brasileira. 

Variáveis nem sempre expostas com clareza no gerenciamento do negócio — como dilemas de herdeiros, o papel das mulheres, conflitos entre irmãos e primos — podem não apenas se interpor a uma boa governança corporativa, como também dificultar o diagnóstico mais preciso dos entraves que envolvem a gestão. 

Para quem pretende se aprofundar sobre o tema, recomendamos o livro Supergovernança, escrito pela pesquisadora e sócia da Escola F, Mariana Moura, que é integrante de família empresária e também atua como consultora de empresas. A obra traz alguns pontos que merecem especial atenção:

  • o processo de sucessão adotado em empresas familiares
  • a necessidade de lançar um olhar mais humanizado sobre o tema
  • a importância de traçar análises e propor soluções individualizadas para cada empresa

A autora questiona a adoção de dispositivos da governança corporativa convencional em empresas familiares, como se eles fossem uma fórmula pronta para resolver todo e qualquer dilema de sucessão. “Muitas empresas focam seus esforços em seguir as ‘boas práticas de governança’ impostas no mercado, sem refletir sobre as demandas intrínsecas ao relacionamento empresa-família”, ressalta Mariana. 

A questão central é que os desacordos familiares podem se atravessar na gestão do negócio, causando problemas tanto na esfera gerencial, quanto no âmbito familiar. Além de pesquisas acadêmicas sobre o tema, a autora fala com propriedade e conhecimento prático. Acionista e membro da família controladora do Grupo Moura — maior fabricante de baterias automobilísticas do país —, ela foi corresponsável pela estruturação da governança no negócio da sua família.

Além disso, Mariana foi testemunha do processo de sucessão em negócios familiares repetidas vezes. Estruturou a governança de empresas, deu consultoria nessa área e participou de diversos fóruns de discussão sobre o assunto. Essa experiência também está a serviço de toda a produção da Escola F, em cursos, palestras e na construção de um material pedagógico especialmente voltado para que os alunos sejam capazes de intervir positivamente na empresa em que atuam. 

“Para que as questões das empresas familiares possam ser resolvidas, é necessário que haja um ambiente em que o trabalho coletivo possa florescer, com foco em seu capital mais precioso que são as pessoas.”

Escola F

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